Fala Eliane Belfort
10 Anos das Mulheres Progressistas

Agradeço a presença de todos vocês, cumprimento o prefeito em exercício, Toninho Salgado.
Em nome do progressista e vereador Anderson Bernardes, cumprimento todos os homens, e em nome da progressista vereadora Andreia Feijó, cumprimento todas as mulheres.
Hoje é um dia para comemorar, fazendo um histórico da AMP.
Mas a Tati Macedo do jornal A Estância de Guarujá falou sobre nossos 10 anos com excelência, e ela começa assim:
Há aniversários que são muito mais que datas no calendário: são marcos de resistência, celebração e, sobretudo, de futuro. Assim é com a Associação Mulheres Progressistas (AMP), que neste setembro completa dez anos de vida — uma década de luta, coragem e invenção.
Agora vou comentar o texto da Tati Macedo, nada mais sincero que quem, isento, escreveu iesse artigo.
Mas apenas para complementar alguns fatos...
Minhas palavras:
Só faltou dizer que a associação nasceu da indignação.
Era 2015, primeira presidente mulher, que ocupava o maior cargo público da nação, mas sofria assédio do machismo e misoginia, em público.
Antonieta, ocupando o maior cargo público do município, tinha seu mandato diminuído por uma câmara, que por não ter conseguido enfraquecer seu mandato, queriam tomá-lo.
E Márcia Rosa, em Cubatão, sofrendo a mesma violência política.
Não, não era coincidência, eram os homens que não aceitavam as mulheres nos cargos de maior poder…
Por isso as Mulheres Progressistas nascem para fortalecer os mandatos e por mais mulheres no poder, e contra todo tipo de violência contra a mulher.
A AMP nasceu pequena em número, mas imensa em propósito. Falava-se pouco, ou quase nada, sobre violência contra a mulher, igualdade de gênero e direitos no espaço político da cidade.
Muitas dificuldades para introduzir o tema, muitos desprezavam e faziam chacota da nossa união, mas graças a mulheres que ocupavam espaços de poder, como a prefeita Antonieta, que prestigiava nossas ações e eventos, a Rose Oggiano, que emprestou respeitabilidade, como vice-presidente da AMP, e muitas outras como Roseli Veiga, Valéria Bento, vereadora em Bertioga, que até hoje ocupa o cargo de vice-presidente da AMP, Rose Calazans que fez nossa contabilidade nos ultimos 9 anos, revisou nosso estatuto e formalizou a AMP, e muitas outras, que passaram e deixaram suas marcas, outras permanecem até hoje, como a Teka Generosa, Bia Laurindo, Marlene Bispo, outras chegaram há pouco, como a Cristina Oliveira e Paula Ravanelli, ambas de Cubatão, igualmente ativas e combativas, e muitas se agregando e se reconhecendo, como a Dirce, a Joyce, Lara, Elaine, Neide, Lutimira, e muitas outras, às quais peço desculpas por não citá-las aqui, mas saibam que engrandecem o movimento.
Foi nesse silêncio que a associação ergueu sua voz. Com coragem e criatividade, a AMP promoveu palestras, exposições de arte e o cine mulher, campanhas suprapartidárias, carreatas da indignação, passeatas e até os famosos “varais da vergonha”.
Criatividade e inovação, sempre e agora mesmo. Por exemplo, quando tivemos 5 vereadoras eleitas, a AMP fez uma carta aberta à população e às eleitas, solicitando colocarem uma mulher à Mesa da Câmara, diversas moçoes, e uma carta ao governador.
Criou, também, o Observatório da Violência contra a Mulher da Baixada Santista, instrumento essencial de monitoramento e denúncia. Ações que provocam mais do que respostas: provocavam consciência!
Trabalho árduo e meticuloso que só foi possível pela dedicação e comprometimento de meu amado companheiro, o homem mais feminista que conheço (o segundo é o Anderson!), que sempre nos deu todo o apoio, estrutura e retaguarda para a realização de nossas ações.
Obrigada, Horacio Belfort!
Dez anos depois, o reflexo está aí. O Guarujá tem hoje uma Câmara Municipal mais feminina do que qualquer outro município de São Paulo. A sociedade se organiza em novos grupos e entidades, e as políticas públicas voltadas para mulheres não são mais vistas como favor, mas como direito.
Acredito mesmo que este é o grande diferencial que a AMP estabeleceu, o fazer o fazer, e fazer pelos direitos das mulheres.
Em comparação com cidades vizinhas, o município carrega um diferencial inegável: a persistência de mulheres que se recusaram a aceitar o óbvio, e escolheram abrir caminho.
Em outras palavras: a eficiência da AMP pode ser medida na prática. Onde antes havia silêncio, hoje há voz, representação e mobilização.
Apesar das conquistas, o alerta segue aceso. No momento em que o orçamento da cidade é elaborado, a AMP chama a atenção: sem verbas asseguradas, políticas como o aluguel social e as casas de acolhimento correm o risco de virarem apenas promessas.
Como resume Eliane Belfort, presidente da associação: “Lugar de mulher é no orçamento público. Se não estivermos lá, não há política pública de verdade — só eventos e discursos embalados como se fossem conquistas”, reflete a Belfort.
Assim, conclamo a todas e todos os presentes a se juntarem a nós, pelo orçamento com recursos discriminados para os programas de apoio às mulheres, apelando principalmente para as vereadoras e vereadores aqui presentes.
Homenagens e esperanças
Para marcar o caminho percorrido, a AMP homenageará mulheres pioneiras, uma para cada ano de dedicação e transformação. Segundo Belfort, a escolha desses nomes pela diretoria não foi tarefa fácil, diante de tantas mulheres valorosas.
É verdade , foram escolhas difíceis, as mulheres homenageadas hoje representam a mulher guarujaense na política, na empresa, na comunicação, na educação, na assistência social…
Mulheres que fazem a diferença. Mulheres pelas mulheres !
E pelo futuro das mulheres, infundindo valores e boas préticas sociais.
Os 10 anos da AMP são um marco histórico. A associação mostrou que é possível transformar realidades com coragem, criatividade e persistência.
Mas também reforça um lembrete: não basta comemorar. É preciso vigiar, cobrar e garantir que os direitos das mulheres estejam assegurados em políticas públicas reais.
Mais do que uma festa, a celebração expressa que o caminho aberto Precisa ser trilhado todos os dias, em cada política pública conquistada, em cada mulher que inspira outra a seguir.
Porque o presente exige coragem, e o futuro exige memória!
Parabéns, AMP!
Tatiana Macedo é jornalista.