Violência contra a Mulher 2026 - Região Metropolitana da Baixada Santista
Baixada Santista tem dificuldade de acesso a dados de feminicídio
Baixada encontra dificuldade de acesso a dados de feminicídio
Como acionar a Patrulha Maria da Penha ?
Baixada Santista enfrenta violência com poucos dados
Artigos reproduzidos em texto do Diário do Litoral. para fins de indexação
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Cotidiano
Feminicídio bate recorde histórico no Brasil em 2025;
entenda como a lei protege as mulheres hoje
Dados da Agência
Brasil revelam que o país registrou um recorde de feminicídios em 2025,
totalizando cerca de 1.518 vítimas
Amanda Fernandes
Publicado em
31/03/2026 às 07:30
Atualizado em 31/03/2026 às 09:56
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Dados nacionais apontam um recorde preocupante:
cerca de 1.518 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025, o
equivalente a uma média de quatro mortes por dia / Unsplash/Kristina Flour
Números preocupantes reforçam a cruel realidade de inúmeras mulheres no
Brasil. No ano passado, o país atingiu uma marca histórica: aproximadamente
1.518 brasileiras foram vítimas de feminicídio. Este ápice ocorreu justamente
quando a sanção da Lei do Feminicídio completou 10 anos, visto que foi aprovada
em 2015.
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Ainda de acordo com levantamentos do órgão nacional, o
Brasil já havia atingido um patamar elevado em 2024, com 1.458 vítimas.
Entretanto, 2025 superou essa marca, com uma média de quatro mulheres mortas
diariamente.
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dificuldade de acesso a dados de feminicídio
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Aproveite e leia também:
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O
que é feminicídio, conforme a lei?
Segundo o advogado Marcos Limão, em
entrevista ao Diário do Litoral, a legislação brasileira define o feminicídio
como o homicídio praticado contra a mulher por razões da condição de sexo
feminino.
Diário do Litoral
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"O feminicídio está previsto no art.121 do Código Penal e é definido como o
homicídio cometido contra uma mulher, em razões da condição de sexo feminino da
vítima. Ou seja, não é qualquer homicídio de uma mulher que configura
feminicídio de forma automática. Para ser considerado feminicídio, é necessário
que o crime seja motivado por questões de gênero".
Quais são os direitos das
mulheres na lei?
O profissional também destaca os direitos assegurados
pelas normas brasileiras. Ele esclarece que homens e mulheres são iguais perante
a lei, sem restrição ou exclusão de sexo.
"Desde o advento da
Constituição Federal de 1988, mulheres e homens são iguais perante a lei. É por
isso que elas têm todos os direitos assegurados pela Constituição, tais como
direito à vida, saúde, segurança, educação, lazer, entre outros".
Desde
medidas protetivas a um atendimento especializado, Limão destaca que a
legislação brasileira garante direitos a fim de preservar a segurança e
integridade feminina.
"Quando a mulher é vítima de violência, ela tem
direito a medidas protetivas de urgência, tais como afastamento do agressor do
lar, proibição de aproximação e contato e restrição de visitas aos filhos. Além
disso, a mulher ainda tem o direito de ser atendida em delegacia especializada,
ser encaminhada para locais seguros, como as casas de acolhimento e ter mantido
o vínculo trabalhista mesmo quando estiver afastada do local de trabalho, por
até seis meses".
Aproveite e leia também: Baixada Santista registra quase
um feminicídio por mês
As possibilidades abrangem, adicionalmente, o
sistema de saúde brasileiro - conhecido popularmente como SUS - e ramo
trabalhista, sendo consideradas mulheres vítimas de violência como prioridade no
atendimento.
"Se a mulher for vítima de violência sexual, tem direito a
um atendimento humanizado e integral no Sistema Único de Saúde (SUS). Além
disso, terão prioridade no atendimento no Sistema Nacional de Emprego, com a
destinação de 10% das vagas reservadas para mulheres em situação de violência
doméstica e familiar".
Feminicídio
A legislação brasileira garante
proteção às mulheres vítimas de violência, como medidas protetivas de urgência,
atendimento em delegacias especializadas e acolhimento em casas de abrigo.
Unsplash/Jason Leung
Principais obstáculos
Apesar das garantias
legais, o advogado aponta desafios para a efetivação desses direitos. Fatores
psicológicos, como a dependência emocional, a falta de informação e o medo são
barreiras comuns.
"Os principais problemas é o medo de represália, a
vergonha dos amigos e familiares, a dependência financeira ou emocional do
agressor e, muitas vezes, falta de informações sobre os crimes e sobre como
proceder perante as autoridades".
Aproveite e leia também: Tentativa de
feminicídio no litoral de SP levanta alerta sobre traumas duradouros
Canais
legais para denúncia
Limão finaliza apontando canais de denúncia
fundamentais, disponíveis em todo o território nacional. Confira-os abaixos:
Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 (disponível 24h);
Polícia
Militar: Ligue 190 ou se dirija à delegacia mais próxima da sua casa;
Delegacias de Atendimento à Mulher (DEAM);
Defensorias Públicas e
Centros de Referência de Assistência Social (CRAS/CREAS).
Leia mais em:
https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/feminicidio-bate-recorde-historico-no-brasil-em-2025-entenda-como-a-le/216374/
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Cotidiano
Baixada Santista tem dificuldade de acesso a dados de
feminicídio
O atual modelo de divulgação de dados da SSP
fragmenta estatísticas e impede recortes regionais para análise de violência
contra mulheres
Amanda Fernandes
Publicado em 31/03/2026 às 00:01
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A SSP-SP tem dificultado
o mapeamento da violência contra a mulher na Baixada Santista / Gemini - Imagem
gerada por IA
A adoção de um novo modelo de divulgação de estatísticas
criminais pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) tem
dificultado o mapeamento da violência contra a mulher na Baixada Santista.
Embora o órgão tenha detalhado os canais oficiais para solicitação dos números
após questionamentos do Diário do Litoral, o fim do envio de boletins regionais
automáticos impõe barreiras ao trabalho da imprensa e de órgãos locais.
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A falta de transparência na divulgação de dados criminais tem dificultado a
compreensão da violência contra mulheres no Estado. Desde janeiro de 2024, a SSP
adotou um novo modelo de apresentação que fragmenta as estatísticas e dificulta
a análise regional, como na Baixada Santista.
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Crimes como homicídio doloso, feminicídio e estupro são contabilizados pelo
número de vítimas, independentemente de vínculo com violência doméstica, com
base em sistemas oficiais como o SP Vida. Já outros delitos passaram a ser
divulgados apenas quando relacionados à violência doméstica, utilizando também o
Sistema de Polícia Judiciária.
Essa mudança ocorreu após inconsistências
nos dados anteriores e levou à revisão de números. No entanto, a atualização
segue com distorções e dificulta a leitura real da violência nas regiões
paulistas devido a classificação por Capital, Demacro e Interior.
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No dia 23 de março, a
reportagem questionou o agrupamento e a eventual descontinuidade dos boletins
locais. Em nota, a Diretoria de Consolidação de Dados e Estatísticas da SSP
informou que o serviço “não foi integralmente sistematizado”.
“O
fornecimento de dados relacionados à violência doméstica e contra a mulher ainda
não foi integralmente sistematizado nos mesmos moldes dos demais indicadores
estatísticos divulgados regularmente. Nesse sentido, as informações atualmente
disponibilizadas seguem critérios metodológicos próprios, razão pela qual a
divulgação de recortes mais detalhados — como por regiões específicas, a exemplo
da Baixada Santista — depende de tratamento técnico individualizado.”
Coleta
de dados municipais
A reportagem também entrou em contato com as nove
prefeituras da Baixada Santista ao longo do mês de março para buscar
esclarecimentos sobre os casos de feminicídio registrados em 2025.
A
cidade de Itanhaém não respondeu aos questionamentos. Já Peruíbe, Santos e Praia
Grande se limitaram a informar que “essa informação deve ser solicitada
diretamente à SSP”.
Por outro lado, a Prefeitura de Mongaguá esclareceu
que “as ocorrências do tipo na cidade são registradas em delegacias comuns ou
delegacias de Defesa da Mulher (DDM/DEAM), ambas pertencentes à Polícia Civil”
Em Guarujá, a coleta de informações também mudou. Segundo Isabelle Marques,
coordenadora da Patrulha Guardiã, os dados passaram a ser obtidos diretamente na
Delegacia de Polícia Sede (DP-Sede), sem intermediação de relatórios
consolidados do Estado.
“Faço o levantamento no próprio DP-Sede.
Questiono quantas ocorrências de feminicídio tiveram e quantas tentativas foram
registradas. São esses dados que a delegacia separa e que encaminhamos à
imprensa”, afirma Marques.
Isabelle ainda confirmou que a SSP deixou de
enviar boletins regionais, o que ampliou a dificuldade de acesso às informações.
“Antes existia um levantamento de todos os municípios. Agora, não recebemos mais
isso. Mesmo em plataformas públicas, os dados não estão atualizados”, comentou a
coordenadora.
Encaminhamento via Lei de Acesso
O Diário entrou em
contato com a SSP no último dia 5 de março para tentar consolidar os dados
municipais. Contudo, o órgão respondeu apenas que os indicadores citados estavam
disponíveis no site e que, “para recortes detalhados, deve ser solicitado via
Lei de Acesso”, sem detalhar o trâmite.
A entidade ainda reforçou que
dúvidas sobre o funcionamento da Patrulha Maria da Penha deveriam ser feitas às
prefeituras, por se tratar de ação direta das Guardas Civis Municipais (GCMs),
embora o serviço esteja atrelado ao Ministério Público (MP).
Sem
respostas, no dia 23 de março, após contato com a comunicação do Departamento de
Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-6), a reportagem foi orientada
a registrar a demanda na Plataforma Integrada Fala SP, o novo portal de
transparência do Governo do Estado.
“Nessas situações, os pedidos são
analisados quanto à sua viabilidade técnica, observados os critérios
metodológicos aplicáveis e as limitações das bases de dados, sendo o atendimento
realizado nos termos e prazos previstos na Lei de Acesso à Informação”, reforçou
o órgão, em nota.
Contraste com dados sociais
Na contramão da
falta de transparência no site oficial da SSP, outras áreas do governo estadual
mantêm esse tipo de recorte e costumam enviá-lo à imprensa, como foi o caso da
Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS), que revelou números de suporte às
vítimas de violência doméstica.
Segundo o departamento, a Baixada
Santista registrou 276 adesões ao Auxílio-Aluguel para Mulheres Vítimas de
Violência Doméstica entre março de 2025 e fevereiro de 2026. A publicação
detalha o alcance do programa, presente em 585 municípios, e traça o perfil das
beneficiárias por faixa etária e condição socioeconômica.
A discrepância
entre a facilidade de acesso aos indicadores da assistência social e a ausência
de informações criminais automatizadas evidencia que os dados locais existem na
esfera estadual, mas o compartilhamento ativo dos indicadores de segurança
pública depende de processos burocráticos individuais.
Leia mais em:
https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/baixada-santista-tem-dificuldade-de-acesso-a-dados-de-feminicidio/216365/
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Cotidiano
Baixada Santista enfrenta violência contra a mulher com
poucos dados e estruturas insuficientes
Levantamento com
prefeituras revela pouca transparência, ausência de políticas específicas em
cidades e dependência de estruturas estaduais no combate à violência de gênero
Amanda Fernandes
Publicado em 31/03/2026 às 06:58
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A ausência de padronização impacta diretamente na
efetividade das ações das Prefeituras / Agência Brasil
A resposta das
prefeituras da Baixada Santista à violência contra a mulher expõe um cenário
fragmentado, em que avanços pontuais convivem com lacunas estruturais
relevantes. O levantamento, realizado com as prefeituras das nove cidades da
região, mostra que não há um padrão de atendimento, investimento ou
monitoramento. Enquanto alguns municípios estruturam políticas públicas
específicas e ampliam serviços, outros ainda operam com soluções improvisadas,
dependentes de convênios estaduais ou iniciativas isoladas.
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A
ausência de padronização impacta diretamente na efetividade das ações. Em muitos
casos, o atendimento ocorre de forma reativa, após episódios graves, e não como
parte de uma política preventiva estruturada. Soma-se a isso a dificuldade em
obter dados consolidados, o que impede diagnósticos precisos e compromete o
planejamento de políticas públicas. Na prática, a região enfrenta um problema
duplo: a violência cresce ou permanece invisível, enquanto o poder público ainda
não consegue mensurá-la com clareza.
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Falta de estrutura
exclusiva ainda é regra
A existência de uma secretaria específica para
tratar das políticas voltadas às mulheres ainda é exceção na Baixada Santista.
Entre os municípios que responderam ao levantamento, apenas Santos e Cubatão
possuem uma pasta dedicada. Mesmo assim, em Cubatão, a estrutura é recente e
ainda está em consolidação. A administração municipal destaca que “a Secretaria
Municipal da Mulher e Direitos Humanos atua de forma transversal e integrada com
as demais secretarias”, o que indica uma tentativa de articulação, mas também
revela a ausência de um orçamento e estrutura plenamente definidos.
Santos, por outro lado, apresenta uma organização mais consolidada, com uma
secretaria estruturada, conselho ativo e programas contínuos. Ainda assim, o
fato de ser uma exceção regional reforça o desequilíbrio. Em cidades como
Peruíbe, ainda não há uma Secretaria específica voltada para a Mulher no
município. Mongaguá segue na mesma linha e reconhece que conta apenas com o
Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, sem estrutura administrativa própria.
Diário do Litoral
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Mesmo nos
municípios que possuem estruturas intermediárias, como Praia Grande e Guarujá, o
modelo adotado ainda dilui a pauta em outras secretarias. No Guarujá, por
exemplo, as políticas são conduzidas pela Secretaria de Direitos Humanos e
Cidadania, com uma gestão específica, mas sem autonomia equivalente a uma pasta
exclusiva. Esse formato, embora funcional, tende a reduzir a prioridade política
do tema dentro da administração pública.
Centros de referência ainda são
exceção
A escassez de Centros de Referência de Atendimento à Mulher
(CRAM) é outro indicativo da fragilidade da rede regional. Esses equipamentos
são considerados estratégicos por concentrarem atendimento psicológico, jurídico
e social em um único espaço, garantindo acolhimento qualificado e contínuo.
Na Baixada Santista, apenas Santos possui uma estrutura consolidada, com a
Casa da Mulher funcionando como polo de atendimento e capacitação. Nos demais
municípios, a realidade é marcada por ausência ou planejamento ainda incipiente.
Em Cubatão, por exemplo, o centro de referência “encontra-se em fase de
planejamento e estruturação”, o que evidencia que a política ainda não saiu do
papel.
Guarujá também formalizou a intenção de implantação, mas admite
que o projeto depende de captação de recursos e trâmites técnicos. Já Praia
Grande e Peruíbe não possuem qualquer equipamento específico em funcionamento,
concentrando os atendimentos no CREAS. Embora o CREAS desempenhe papel
importante, ele não foi concebido exclusivamente para lidar com a complexidade
da violência de gênero, o que pode limitar a qualidade e a especialização do
atendimento.
Essa lacuna estrutural reforça um padrão regional: a maioria
das cidades ainda não oferece um espaço dedicado e preparado para acolher
mulheres em situação de violência de forma integral.
Abrigamento depende de
rede regional e vagas limitadas
O acolhimento de mulheres em risco
iminente de morte é um dos pontos mais sensíveis da rede de proteção — e também
um dos mais frágeis. A maior parte dos municípios da Baixada Santista depende de
estruturas regionalizadas, com vagas limitadas e acesso mediado por critérios
técnicos rigorosos.
Praia Grande detalha o funcionamento do Núcleo Fênix,
abrigo implantado em 2024 que atende seis cidades da região. Segundo a
prefeitura, o equipamento dispõe de “duas vagas por município”, o que, na
prática, evidencia uma capacidade extremamente restrita diante da demanda
potencial. O acesso ocorre via CREAS, após avaliação de risco, e o acolhimento
pode durar até 90 dias.
Outras cidades seguem modelos semelhantes.
Bertioga utiliza tanto o acolhimento regional quanto a Casa de Passagem,
enquanto Guarujá afirma contar com “abrigo sigiloso destinado a mulheres em
situação de risco iminente”. Já Peruíbe depende de parceria com o terceiro
setor: “mantém parceria com o Instituto Natura, responsável pelo abrigamento”.
A dependência de estruturas compartilhadas e a limitação de vagas levantam
um questionamento inevitável: há capacidade real de resposta em casos
simultâneos de risco grave?
Auxílio financeiro existe, mas ainda atinge
poucas mulheres
O suporte financeiro às vítimas de violência,
especialmente por meio de auxílio-aluguel, aparece como uma política
relativamente difundida entre os municípios. No entanto, os números revelam que
o alcance ainda é limitado e, em muitos casos, insuficiente para atender à
demanda.
Em Bertioga, apenas 11 mulheres foram contempladas em 2025. Em
Cubatão, 21 recebem o benefício estadual, enquanto apenas uma mulher é atendida
pelo programa municipal. Esse dado evidencia não apenas a dependência do Estado,
mas também a baixa capilaridade das políticas locais.
Praia Grande segue
a mesma lógica, com repasse estadual de R$ 500 mensais para mulheres com medida
protetiva. Embora o benefício seja essencial para romper o ciclo de violência,
sua abrangência reduzida indica que muitas vítimas permanecem sem suporte
financeiro adequado, especialmente em contextos de dependência econômica.
Dados expõem aumento de casos — mas também desorganização
A análise
dos dados revela um cenário paradoxal: ao mesmo tempo em que há indícios de
aumento nos casos, também há forte desorganização na coleta e sistematização das
informações.
Cubatão é um dos poucos municípios a apresentar uma série
histórica consistente, com crescimento significativo nos atendimentos — de 103
casos em 2023 para 341 em 2025. A prefeitura atribui esse aumento à ampliação da
rede e ao incentivo à denúncia, mas reconhece que a subnotificação ainda é um
fator relevante.
Em Mongaguá, a discrepância entre os dados chama
atenção. Enquanto a Delegacia da Mulher registrou 393 ocorrências em um ano, o
CREAS contabilizou apenas 18 atendimentos no mesmo período. A diferença
evidencia falhas na integração entre os sistemas e reforça a fragmentação das
informações.
Já Peruíbe admite não possuir dados consolidados, informando
que seria necessário um levantamento específico. Guarujá, por sua vez, afirma
que os números estão centralizados na Secretaria de Segurança Pública do Estado,
o que limita o acesso municipal às informações.
Na prática, isso
significa que boa parte das cidades não sabe, com precisão, quantas mulheres
atende, quais são os perfis das vítimas ou quais políticas são mais eficazes —
um cenário incompatível com a complexidade do problema.
Orçamento difuso
dificulta avaliação de políticas públicas
A falta de transparência
orçamentária é outro entrave importante. Com exceção de Santos, que informou
investimento de R$ 29,4 milhões em 2026, os demais municípios não detalham
quanto destinam às políticas de enfrentamento à violência contra a mulher.
Cubatão afirma que as ações “não se restringem a uma única ação orçamentária
específica”, o que indica dispersão de recursos. Praia Grande adota modelo
semelhante, com investimentos distribuídos entre diferentes secretarias.
Mongaguá é mais direta ao reconhecer que “não há destinação de recurso”
específica para a área. Peruíbe também admite não possuir dotação orçamentária
consolidada, sugerindo que a criação de uma estrutura própria poderia facilitar
essa mensuração.
Sem orçamento claro, torna-se praticamente impossível
avaliar a eficiência das políticas públicas ou comparar investimentos entre
municípios.
Prevenção e autonomia ainda avançam de forma tímida
Apesar
das limitações, as prefeituras relatam iniciativas voltadas à prevenção e à
autonomia financeira das mulheres. Cubatão promove ações mensais do “Dia
Laranja”, com campanhas educativas e mobilização social. Guarujá aposta em
cursos e parcerias com instituições como Sebrae e Senat para qualificação
profissional.
Santos se destaca com programas estruturados, como o
Emprega Mulher e iniciativas de capacitação contínua. Praia Grande também
desenvolve ações em escolas e campanhas educativas ao longo do ano.
Ainda
assim, essas iniciativas enfrentam desafios estruturais. Como aponta a própria
Prefeitura de Cubatão, é necessária “maior integração e articulação das
políticas públicas de segurança”. Praia Grande reforça que a subnotificação,
muitas vezes ligada à dependência econômica e emocional, dificulta o
enfrentamento efetivo da violência.
Desafio estrutural vai além da gestão
municipal
As respostas das prefeituras deixam claro que o enfrentamento à
violência contra a mulher não depende apenas de estrutura administrativa, mas
também de fatores culturais e sociais profundamente enraizados.
Peruíbe
aponta diretamente “o machismo e o patriarcado” como fatores que impactam a
incidência dos casos. Mongaguá destaca a fragilidade da rede de apoio familiar
como obstáculo para o rompimento do ciclo de violência. Guarujá, por sua vez,
enfatiza a necessidade de combater a naturalização da violência e ampliar a
conscientização social.
Esses elementos mostram que, embora políticas
públicas sejam fundamentais, o problema exige uma abordagem mais ampla, que
envolva educação, cultura e transformação social.
Entre avanços e lacunas,
uma rede ainda insuficiente
O retrato da Baixada Santista é claro: há
avanços importantes, especialmente em cidades com maior estrutura, mas eles
ainda não são suficientes para garantir uma rede de proteção eficaz e homogênea.
A combinação de falta de dados, orçamento difuso, ausência de equipamentos
especializados e dependência de políticas estaduais evidencia uma fragilidade
estrutural que compromete o enfrentamento da violência contra a mulher na
região.
Enquanto isso, os números — quando existem — apontam para
crescimento ou subnotificação dos casos. E, sem coordenação regional,
transparência e prioridade política, a rede de proteção segue operando abaixo do
necessário.
Em um cenário de violência persistente, a principal
constatação é direta: a Baixada Santista ainda não está plenamente preparada
para enfrentar, com a urgência e a estrutura necessárias, a violência contra a
mulher.
A reportagem do Diário do Litoral entrou em contato com as nove
cidades da Região, mas ainda não obteve respostas das prefeituras de Itanhaém e
São Vicente. Por isso, o artigo segue em aberto para atualização.
Leia
mais em:
https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/baixada-santista-enfrenta-violencia-contra-a-mulher-com-poucos-dados-e/216402/
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Cotidiano
Como acionar a Patrulha Maria da Penha em cada município do
litoral sul?
As Guardas Civis Municipais oferecem canais de
denúncia, visitas e um botão de pânico que auxiliam no monitoramento de medidas
protetivas
Amanda Fernandes
Publicado em 31/03/2026 às 00:58
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A Baixada Santista
possui grupamentos especializados no acolhimento a mulheres vítimas de violência
/ Gemini - Imagem gerada por IA
As Guardas Civis Municipais (GCMs) da
Baixada Santista mantém grupamentos especializados no acolhimento a mulheres
vítimas de violência doméstica e no cumprimento de medidas protetivas de
urgência. Embora o foco das patrulhas seja a fiscalização de decisões judiciais
já expedidas, qualquer moradora ou testemunha pode acionar as autoridades locais
em casos de emergência.
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Para ingressar nos programas de acompanhamento
contínuo das Patrulhas Maria da Penha, a vítima deve registrar um boletim de
ocorrência na Polícia Civil (presencial ou pela internet) e solicitar a medida
protetiva à Justiça. Uma vez concedida, o Judiciário e o Ministério Público
encaminham o caso para as GCMs iniciarem as visitas.
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Saiba como
funciona o serviço e como acioná-lo em cada município da região.
Guarujá
Criada em 2019, a Patrulha Guardiã já acompanhou mais de 1.200 mulheres. O
primeiro contato da equipe é feito de forma discreta, por telefone ou mensagem,
para agendar reuniões em locais seguros. As equipes realizam visitas periódicas
para checar o cumprimento do distanciamento do agressor, geralmente fixado em
200 metros.
Os acompanhamentos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 9h
às 18h. Fora desse horário, as emergências devem ser reportadas diretamente à
GCM.
Diário do Litoral
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Cubatão
O acionamento da patrulha e o registro de denúncias de agressão podem ser
feitos diretamente pelo telefone 153. O canal da Secretaria da Mulher e dos
Direitos Humanos (SMDH) recebe chamados tanto das próprias vítimas quanto de
testemunhas.
Santos
As vítimas podem acionar o serviço na Delegacia de
Defesa da Mulher (DDM), localizada na Rua Assis Corrêa, 50, no Gonzaga, que
funciona 24 horas. Para casos de emergência, o socorro deve ser solicitado à
Polícia Militar pelo telefone 190 ou à Patrulha Maria da Penha pelo 153.
O município também fornece orientações e acolhimento geral a qualquer momento
por meio da Central de Atendimento à Mulher no número 180.
São Vicente
Em operação desde 2023, o grupamento Guardiã Maria da Penha atua de segunda
a sexta-feira, das 9h às 17h. O atendimento presencial ocorre na sede da GCM
(Avenida Capitão-Mor Aguiar, 798, Centro). Casos de quebra de medida protetiva e
flagrantes podem ser denunciados pelo telefone 153.
Praia Grande
O
grupamento conta com 16 guardas e utiliza tecnologia no combate à violência. As
mulheres assistidas têm acesso ao aplicativo municipal "PG+Segura", que possui
um botão de pânico. Quando acionado, o dispositivo envia a localização em tempo
real da vítima para a viatura mais próxima da GCM. Denúncias gerais também podem
ser feitas pelo telefone 153.
Peruíbe
As vítimas podem acionar a Maria
da Penha registrando o boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia (DP), no
Fórum da cidade ou pela internet, por meio da Delegacia Eletrônica da Polícia
Civil de São Paulo.
Além disso, também é possível solicitar medidas
protetivas de urgência, que serão encaminhadas rapidamente a um juiz para
garantir a segurança da vítima.
Bertioga
A GCM opera o serviço Maria
da Penha desde 2024 por meio de um convênio com o Ministério Público Estadual. O
órgão envia as medidas protetivas expedidas pela Justiça para que os guardas
realizem as rondas preventivas e o acompanhamento das vítimas.
Mongaguá
Os registros de violência contra a mulher e os pedidos de medidas protetivas
correm pela Polícia Civil. O município conta com a Delegacia de Defesa da Mulher
(DDM), localizada na Avenida São Paulo, 851, no Centro, além da Delegacia Sede
(Avenida São Paulo, 3.285, Vera Cruz).
Vale citar que a GCM local também
inaugurou a Sala Rosa, um espaço reservado para o acolhimento humanizado das
vítimas de violência.
Itanhaém
As mulheres podem registrar um boletim
de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), localizada na Rua Leopoldo
Araújo, 123, no Centro, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.
Outra alternativa é utilizar a Delegacia Eletrônica da Polícia Civil para
registrar a ocorrência online.
Leia mais em:
https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/como-acionar-a-patrulha-maria-da-penha-em-cada-municipio-do-litoral/216367/
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